segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um Café Para Viagem



Desculpe a pressa, estou de saída. Já fiz as malas e refiz os planos. Estrada adentra para dentro de mim e a viagem vai custar tempo porque me sinto congestionado.
Intenso fluxo em mão dupla. Ocupação das pistas em alta velocidade e tem existido falha na minha sinalização.
É temporal e parece me faltar para-brisa. Coração sofreu batida e o corpo todo avisa: O veículo vai precisar de manutenção.
Quilômetros e quilômetros rodados e destino nenhum. Não que eu tenha que saber com todas as forças e certezas onde ir, lugar algum, mas é que viajar sem descansar é beirar o acostamento da loucura, é castigar.
Tudo em mim estrada, tudo em mim distância e eu assim um mapa em escala reduzida pra encontrar um ponto correto, enfim.
Tudo em mim partida, nada em mim chegada, porque já foi expedido o pedido para negar as visitas, fechar os portos, nada vai ancorar. Vigiar as entradas.
Vigiar as entradas, as saídas são liberadas por motivo de excessos.

Acordei cedo e tratei de logo me preparar. Hoje o café é para viagem.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Visita


Acordei sorrindo e nasceu um poema engraçado
Suspirei umas rimas e conversei com meu retrato que era falado
Falei pelos cotovelos com meu criado que é mudo
Quem não entende o que digo deixo então gritar “isso é um absurdo!”

Segue cego e seco quem acha que é bom só comer pelas beiras
Quem não tem medo do ridículo cria asas quando pula da ribanceira
Faz de conta que quem conta faz magia de verdade
Não sei qual dia é dia de visita, mas quando as palavras batem eu aviso
_Poesia, fique a vontade!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Metáfora da Vida


As vezes me pergunto se a ideia do cachorro correndo atrás do próprio rabo não seria a metáfora da minha vida. Corro atrás de mim ao mesmo tempo que também fujo da pessoa que sou... É confusão.
Talvez eu também seja aquele besta canino, latindo os carros asfalto afora, rezando para que o automóvel não pare.
Queria mesmo é caminhar por outra metáfora. Minha mãe dizia sempre que "todas segundas, quartas e sextas feiras o lixeiro passa. Lembra de pôr o lixo para fora."
Sei bem que minha amada progenitora só queria me fazer cumprir o dever doméstico, mas que, com essas minhas linhas, ela saiba que cumpriu bem com a missão materna de preparar o filho para a vida.
Acordei durante muito tempo depois do sol raiar. Sempre tarde por demais e o lixo amontou. Eu perdia o tempo da limpeza. Era em mim como se fosse em um aterro.
Colocar o lixo para fora é bem simples, não precisa ser todos os dias, e as vezes nem tão metódico.
Se está com seu lixo atrasado, tudo bem, te acalma. Organiza seu tempo, junta todas as sacolas, logo mais o  lixeiro volta a passar.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Eu Sabia



Eu sabia! Eu me desesperei, reclamei por mais de quatro cantos, mas no fundo eu sabia!
Sabia eu que meu último ponto final não seria o fim.
Longe de mim de ser escritor, fujo até mesmo da alcunha de poeta. Mas, sobretudo, total certeza que a folha em branco é meu divã e desta minha loucura não encontro cura.
É doença crônica (as vezes poesia, as vezes prosa).
Foi tempo de crise, uma baixa em minhas ações. Quem tem hábito de escrever passa por isso... não passa? Tempos ruins.
Dentro de mim foi um presídio; todas as palavras amontoadas, em precariedade, nem sequer direito a banho de sol!
_É o seguinte, isso aqui agora é rebelião! Nenhuma palavra entra, nenhuma palavra sai! A gente tá reivindicando nossos direitos! _ Reclamavam as palavras.
E eu lá sabiam o que elas reclamavam!? Só sei que em cárcere foi morrendo a minha inspiração.
_Você escreve?
_Escrevia...
Meu tempo conjugava-se em passado, daqueles que a gente sentia que, com poesia, era perfeito.
Mas eu sabia... Eu sei.
Sei que de tanto inspirar eu acabei prendendo por demais meu fôlego e me esqueci de um detalhe: Respirar!
Eu causei minha pausa. Os últimos créditos do meu filme subiram e da sequência eu não sabia, pensei meu personagem terminando por ali, uma curta epopeia.
Mas, depois de algum tempo sustentando o peso do mundo, voltei a respirar. Expulsei meus demônios em um sopro! Tirei o mundo das costas e deixei essa bola rolar.
E neste exato momento, meu caro, minha caríssima, eu me encontro como eu me encontrava estações atrás: um sorriso meio de lado, com uma caneta mais que livre, um coração mais que acelerado e uma vontade mais que sem vergonha de escrever tudo aquilo que me vier a calhar.
Eu sabia.

Voltei :)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Big Bang


Subi a escada em passos largos. O peso da pressa fez ranger a madeira antiga. Era minha chegada anunciando-se.
Abri a porta como se fosse saída de emergência e a minha fuga era para encontrar você.
Em laço lhe tomei em braços, teu ar traguei e de volta soprei cores naturais de você.
Era o meu amor em matiz.
Medi seu corpo em medida de minhas falanges.
Seu corpo Geografia, transpor em escala real.
Arrancávamos nossas peças, parecia teatro. Uma peça ensaiada.
Era nadar em lençóis com nossos afagos.
Era perder a respiração, eu afogo.
Pêlos a vista.
Pelo visto cortamos a noite, sangrando estrelas a lua caiu.
Mas a fricção de nossos corpos faz nascer planetas.
Moça, somos um Big Bang! 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ninguém Vai Viver Por Mim - Sérgio Sampaio


E eu, boêmio cantor da lua
Doido que não se situa
Fui procurar viver além de mim
E eu, simples cantar solitário
Entre malandros e otários
Vivo o que sou, ninguém vive por mim♪


sábado, 17 de novembro de 2012

Sou Sim Clichê

Sei sim ser um clichê ambulante
Tragam-me os goles, tragam-me as dores
Tragam-me os tragos mas não me tragam mais amores
Pois deste mal também me corroo
Me dói e me doo
Pois se é de corte deve existir algo que cauteriza
Pois se das dores não escapo deve haver algo que ameniza

Eu largo os cotovelos na mesa suja do bar frio
A noite também é suja e me torno um vira lata vadio
E para ser mais clichê eu agora precisava de um jornal
Ler notícias por alguns instantes e fazer parecer tudo normal
Quem me vê de perto achará tudo bem natural
Eu que me vejo de dentro me sinto por demais um cara pra lá de banal

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Desapego

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Hasteio a bandeira  e me prontifico a representar o desapego.
Não esse desapego que é disposto pelos jovens vorazes, que por tanta intensidade tudo se torna pesado e, por falta de espaço, leveza não há.
Desapegar é subir na mais alta montanha, encontrar lá a mais bonita flor e, simplesmente, não contar para ninguém.  É apropriar somente pelo olhar.
Desapego não é o descartar, desapegar é carregar no sorriso aquilo que a gente se esforça para carregar no peito. Desapego é aliviar-se.
Desapego é postura, posto que o apego é sentimento  sobreposto, amontoado, tumultuado, em demasia desgastado e por pressão encurralado.
Desapego mesmo é o bastar-se.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mágico Falido


Triste encanto de um mágico falido
Fez sumir o amor e, de fato, ele nunca mais voltou